A Câmara de Figueiró dos Vinhos tem disponível um serviço de atendimento para ajudar com as candidaturas de apoio aos prejuízos ocasionados pelo mau tempo dos últimos dias, que já levou mais de mil habitações a serem intervencionadas.
A autarquia “tem um posto de atendimento com três funcionários do município, que ajudam no preenchimento dos formulários e das candidaturas que as pessoas, infelizmente, sozinhas não conseguem apresentar, porque é uma população predominantemente idosa”, disse hoje o presidente da Câmara, Carlos Lopes.
Esta tem sido uma dificuldade enfrentada por aquele concelho do distrito de Leiria, num contexto em que “nem toda a gente tem acesso à ‘internet’, nem todos têm e-mail, nem toda a gente tem acesso a essas ferramentas”.
A funcionar no antigo edifício da Loja do Cidadão, a cerca de 100 metros dos Paços do Concelho, junto ao terminal rodoviário, o serviço está disponível entre as 09:00 e as 17:00, tendo já auxiliado na submissão de 112 candidaturas.
“Criamos aqui um apoio, quer para ir ao encontro das empresas que também foram fortemente prejudicadas e destruídas, quer ao encontro das famílias, e temos [também] no Centro Investe de Figueiró dos Vinhos uma equipa que está a acompanhar aquilo que são os prejuízos das empresas”, acrescentou.
Segundo o autarca, Figueiró dos Vinhos “foi fustigado duma ponta à outra, não houve nenhuma localidade que não tivesse sido atingida. A vida normal das pessoas foi afetada de uma forma muito dura e de uma forma muito contundente”.
De acordo com os dados que chegaram ao conhecimento da autarquia, 1.189 habitações foram atingidas pelas intempéries, ficando “com o telhado destruído ou semidestruído”.
“Já conseguimos, ainda que de forma provisória numa grande parte, chegar a 1.163 habitações e criar condições para que as pessoas pudessem dormir nas suas casas e pudessem ter condições mínimas de habitabilidade”, sublinhou.
Já a nível das comunicações, o líder camarário adiantou que estão asseguradas em 68,5% do território.
“O problema é que os outros 32% representam ainda muita gente sem conseguir telefonar, sem conseguir ter acesso à internet, com todo o prejuízo que daí decorre para as famílias e para a normalidade da vida familiar de cada um”.
Outro edifício fustigado foi o da escola da freguesia de Aguda, que ficou “destruído a nível da cobertura”, levando os alunos a terem de se deslocar à Figueiró dos Vinhos, através de transporte municipal, para terem aulas.
As infraestruturas mais afetadas passam pelo parque escolar, edifícios municipais e de culto, com registos de “graves problemas e um grande prejuízo na Igreja Matriz [um Monumento Nacional]” e no Convento de Nossa Senhora do Carmo.
Foram também assinalados prejuízos em indústrias, na rede viária e no património natural, onde o Jardim e a Mata Municipal (ex-libris da sede do concelho, com cerca de 30 hectares) ficaram “totalmente destruídos”.
Destaque ainda para os estragos no Pavilhão da Escola Secundária, “que neste momento está impossibilitado de ser utilizado”, e na sinalética vertical, “destruída a 85%”.
A energia já foi reposta em quase 100% do território, com exceção de seis concelhos, onde ainda se recorre a geradores.
Segundo Carlos Lopes, está a ser feito “um diagnóstico muito rigoroso” dos danos, no âmbito de “obter os apoios necessários para ressuscitar este território, porque está completamente devastado e está, a nível de infraestruturas públicas, também muito destruído”.
“Queremos concluir o mais depressa possível e está a ser feito com toda a precisão, com todo o rigor, com toda a transparência e com toda a objetividade”.
O concelho, explicou, conta com o apoio da empresa Municípia, disponibilizado pelo presidente da autarquia de Oeiras (distrito de Lisboa), para mapear os estragos.











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