As associações empresariais das regiões de Santarém, Leiria e Coimbra consideram que as medidas avançadas pelo Governo para ajudar na recuperação das empresas atingidas pela depressão Kristin são positivas, mas alertam para a falta de apoios a fundo perdido.
“As medidas do Governo são bem-vindas, achamos que estão bem enquadradas, fazem sentido, mas há um conjunto de outras propostas que nós iremos fazer chegar ao Governo ainda hoje, na reunião da Unidade de Missão”, referiu o presidente da NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém, Rui Serrano.
Responsáveis da AIP – Associação Industrial Portuguesa, NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém e NERC – Associação Empresarial da Região de Coimbra estiveram reunidos esta manhã, para realizar um balanço dos impactos que a depressão Kristin teve nas empresas destes territórios e avaliar as medidas avançadas pelo Governo.
No final do encontro, Rui Serrano destacou que irão sugerir algumas medidas implementadas na altura da pandemia de Covid-19 e dos incêndios, que “já estão testadas em termos de mecanismos de apoios”.
Para além do alívio fiscal, os empresários pretendem atribuições “de fundo perdido de alguma maneira”.
“Isto é incentivar as pessoas, as empresas que possam nas suas soluções, não ser só as questões moratórias, não só a questão dos empréstimos, mas também haver aqui essa componente que achamos que é importante”, sustentou.
Também o diretor executivo da NERLEI, Henrique Carvalho, considerou as medidas apresentadas pelo Governo positivas, mas disse estar preocupado com a sua operacionalização e com o facto de serem insuficientes para fazer face “aos grandes prejuízos e à calamidade” que as empresas enfrentam.
“Faltarão seguramente apoios que têm uma lógica mais de fundo perdido, porque as medidas mais fortes para as empresas, as duas grandes linhas são financiamento, e financiamento é mais dívida. Empresas que estão em fase de paragem operacional, porque não conseguem operar, ficarem com mais dívida apenas, é importante para soluções muito imediatas de curto prazo, mas são difíceis de resolver numa lógica mais de médio prazo”, alertou.
Já o presidente da NERC, Horácio Pina Prata, observou que apesar de as medidas serem positivas, é importante olhar também para os setores económicos associados aos ciclos de produção e de escoamentos de produtos, que “têm uma afetação de lucros cessantes futuros extremamente complicados”.
“Quando uma produção cai este ano, tem efeitos devastadores e não pode ser, para o setor agrícola, só 10 mil euros de apoio: tem que haver outros apoios concretamente. Por outro lado, as empresas que podem perder com isso os fornecimentos, podem ficar em situações complicadas, portanto, é preciso acautelar não só medidas que são positivas, mas é importante termos outras medidas que acautelem as situações futuras”, salientou.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.









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