Coimbra

Soure começa a repor energia, mas “há muito” a fazer e faltam telhas

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O presidente da Câmara de Soure disse que chegaram hoje as primeiras equipas para repor a energia em baixa, mas há muito a fazer num município em que faltam telhas e lonas.

“A grande novidade hoje é a chegada das primeiras equipas, quatro, da E-Redes para trabalhar estritamente na baixa, ou seja, a que leva a eletricidade a casa das pessoas, depois de andarem a resolver a alta e média tensão”, adiantou Rui Fernandes.

O presidente da Câmara de Soure, no distrito de Coimbra, falava à agência Lusa no final de uma reunião com a E-Redes, em que reconhecia “o grande esforço” da empresa para “chegar quanto antes e também é preciso entender isso”.

“O concelho está, praticamente, a ser alimentado por geradores, e é preciso entender que, basta haver danos em alguns pequenos fios, para que as pessoas que até começaram a ter energia, de repente deixem de a ter. É necessária alguma paciência e compreensão. Estamos a trabalhar para repor tudo o quanto antes, mas o nível de destruição é tão grande que não é fácil estar em todo o lado”, apelou.

“As telecomunicações, que são as mais urgentes, já estão com mais estabilidade, porque a Câmara está a alimentar 10 torres de comunicações através de geradores”, mas “ainda vai faltar muito para haver comunicações em casa das pessoas, tendo em conta os danos nos cabos”, sublinhou.

“Ainda não é possível contabilizar os danos, porque são muitos, e só hoje é que as equipas estão a começar de fazer o levantamento, mas todo o concelho foi afetado” pela tempestade Kristin, referiu Rui Fernandes.

Das infraestruturas públicas, “só as piscinas municipais da vila de Soure é que não tiveram danos, tudo o resto, com mais ou menos gravidade, foi danificado”.

“Cerca de 60 pessoas foram realojadas, a maior parte em casa de famílias e amigos”. A Câmara realojou 10 e não tem “capacidade para mais”, notou.

“As empresas e o setor primário” foram fortemente afetadas. “muito mesmo”, realçou.

As escolas foram reabertas hoje “e foi aí que deu para perceber os danos, portanto, há aulas, mas com alguns condicionamentos, mas já foi possível o regresso à escola” em todo o concelho.

Rui Fernandes realçou ainda que “há casos de pessoas ainda sem água, porque o abastecimento não depende só do Município de Soure e outros concelhos também foram afetados”. De todo o modo, “95% da rede de água já está reposta”.

“Tudo isto, entenda-se, pode ser volátil, porque os níveis de reparação são tão precários, para que fossem feitos de imediato” e “qualquer rajada de vento forte ou chuvas mais intensas podem colocar tudo na estaca zero”, alertou. Começámos por remediar até ser possível reparar e até lá apela-se à paciência e compreensão”.

O autarca sublinhou a “necessidade de telhas e lonas, porque o Município já não tem nada em reserva no estaleiro” e a questão das telhas “é um puzzle difícil, porque há imensos tipos e diferentes telhados, mas havendo lonas vai dando para remediar e evitar danos maiores nas habitações”.

Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Notícias do Centro | Lusa

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