O presidente da Câmara de Oleiros disse hoje que a maior urgência é a reposição de energia e comunicações, já que 40% do concelho recorre a geradores que não chegam a mais de mil cidadãos.
“Neste momento, a nossa maior urgência é que o restabelecimento da energia elétrica e das comunicações se faça com a maior brevidade possível. É a nossa maior urgência”, sublinhou à agência Lusa Miguel Marques.
O presidente da Câmara de Oleiros, no distrito de Castelo Branco, salientou que “cerca de 40% do concelho está sem energia elétrica, com localidades a serem alimentadas com recurso a geradores”.
“Estamos a trabalhar em colaboração com a E-Redes, e têm sido incansáveis. Conseguimos alguns geradores de entidades, como os [Bombeiros] Sapadores de Lisboa e o Exército, e empresas e particulares e fomos instalando” no concelho.
Ainda assim, “há muitos postes elétricos partidos, de média e baixa tensão, e, por isso, seguramente mais de mil pessoas continuam sem energia elétrica, mesmo com o uso dos geradores”, notou Miguel Marques.
O concelho de Oleiros “é muito disperso, com muitas aldeias em que os postes elétricos estão partidos e sem acesso aos geradores”, afirmou o autarca.
Miguel Marques disse que, hoje, “persistem problemas nas comunicações, com a rede muito instável, há freguesias que continuam sem comunicações”.
Sem conseguir ainda contabilizar em valor monetário os prejuízos da depressão Kristin, Miguel Marques enumerou “graves danos em muitas casas de habitação própria e permanente, sobretudo nas coberturas, com os telhados danificados e, consequentemente, as pessoas tiveram prejuízos no interior das suas casas”.
Miguel Marques realçou que, apesar desses danos e de “três situações mais complicadas”, a Câmara de Oleiros “não realojou ninguém, porque as pessoas preferiram ficar com familiares e vizinhos que disponibilizaram” esse acolhimento.
“Temos vários danos em edifícios públicos, a começar pela Câmara Municipal de Oleiros em que foi levantada parte da cobertura e, consequentemente, a entrada de precipitação em gabinetes, inclusive no meu e no salão nobre”, indicou.
Este concelho do distrito de Castelo Branco registou ainda “um rasto de destruição em equipamentos desportivos, nos passadiços, em muitos edifícios públicos, com graves prejuízos e ainda explorações florestais e agrícolas totalmente devastadas”.
O presidente acrescentou que as previsões meteorológicas para esta semana são de “chuva intensa e ventos fortes” e, por isso, “toda a precaução é necessária, apesar de esta noite não ter provocado grandes danos e ter sido mais calma do que o esperado”.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.












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