Guarda

Foz Côa acolhe exposição de Manuel Cargaleiro com 60 peças de várias técnicas

0

Cerca de 60 peças em gravura, azulejo, desenho e cerâmica de Manuel Cargaleiro vão ser expostas no Centro Cultural de Foz Côa, numa mostra que tem início a 29 de janeiro, foi hoje divulgado.

Em declarações à agência Lusa, o diretor da Fundação Manuel Cargaleiro, Gonçalo Magano, disse que esta exposição vai propor uma leitura diferente da obra de Cargaleiro, em diálogo com o território do Vale do Côa, marcado pelas gravuras rupestres e pelo gesto da incisão.

“Vamos tentar cruzar a obra de Manuel Cargaleiro nesta gestualidade dos desenhos e dos azulejos grafitados com a ideia de que no Vale do Côa apareceram as primeiras gestualidades artísticas de gravação, na primeira linguagem do Homem, e que agora, através do mestre, fazemos uma interpretação diferente da arte paleolítica”, destacou.

A exposição tem como título “O Gesto como Princípio” e vai decorrer naquele concelho do distrito da Guarda até 05 de abril.

Gonçalo Magano acrescentou ainda que, “mais do que um ponto de partida cronológico, o gesto é aqui entendido como princípio de valor: uma atitude plástica e ética que atravessa o desenho, a obra gráfica e a cerâmica, afirmando-se como fundamento da forma, do ritmo e da cor”.

A exposição inicia-se com um núcleo de desenhos a tinta-da-china, seguindo-se um percurso pela obra gráfica, sobretudo serigrafias produzidas entre as décadas de 1970 e 2010.

“O diálogo é aprofundado através da presença de obras cerâmicas e azulejos, que permitem observar a transposição dessa linguagem para o espaço tridimensional”, indicou à Lusa.

“Não se trata de estabelecer paralelos históricos ou influências diretas, mas de propor uma leitura em que obra e território se encontram num plano conceptual, reforçando a ideia do gesto como expressão essencial e intemporal da criação artística”, vincou Gonçalo Magano.

A exposição é promovida pelo município de Vila Nova de Foz Côa em parceria com a Fundação Manuel Cargaleiro, “numa primeira e inédita parceria”, integrando-se “num programa de itinerância da coleção, que visa promover a circulação e a divulgação da obra do mestre Cargaleiro em diferentes territórios, aproximando-a de novos públicos e contextos culturais, com incidência, desta vez, no interior do país”.

Segunda a vereadora com o pelouro da Cultura no município de Foz Côa, Ana Filipe, esta exposição é mais um passo importante na dinamização cultural do concelho e do território do Douro Superior e do Vale do Côa.

“Trazer mestre Cargaleiro e relacioná-lo com arte milenar do Côa, embora sejam épocas cronológicas e separadas por milhares de anos [30.000 anos], ambas partilham uma linhagem visual focada na sequência de uma linha e na relação com este território”, sublinhou.

O artista plástico nasceu em 16 de março de 1927 em Chão das Servas, no concelho de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.

A sua obra foi fortemente inspirada no azulejo tradicional português. Em 1949, ingressou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e participou na Primeira Exposição Anual de Cerâmica, no Palácio Foz, em Lisboa, onde realizou a sua primeira exposição individual de cerâmica, no ano de 1952.

No início de carreira, ainda na década de 1950, recebeu o Prémio Nacional de Cerâmica Sebastião de Almeida, e o diploma de honra da Academia Internacional de Cerâmica, no Festival Internacional de Cerâmica de Cannes, em França, numa altura em que iniciara funções de professor de Cerâmica na Escola de Artes Decorativas António Arroio e apresentara as suas primeiras pinturas a óleo no Primeiro Salão de Arte Abstrata.

Nas décadas de 1960 e 1970, participou em exposições individuais e coletivas e durante este período afirmou-se não apenas como conceituado ceramista, mas também como desenhador e pintor. Nos anos 1980 começou a explorar a tapeçaria.

Em Castelo Branco, viria a ser inaugurada a Fundação Manuel Cargaleiro, em 1990, depois expandida com o respetivo museu e mais tarde, no Seixal (distrito de Setúbal), a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro.

O ceramista recebeu, em Paris, em 2019, a medalha de Mérito Cultural do Governo português e a Medalha Grand Vermeil, a mais alta condecoração da capital francesa, onde viveu grande parte da sua vida.

Notícias do Centro | Lusa

Câmara de Viseu aprova plano urbanístico para desenvolver centro de Repeses

Notícia anterior

Marcelo promulga novo sistema de consultas e cirurgias e levanta dúvidas sobre proteção de dados

Próxima notícia

Também pode gostar

Comentários

Comentários estão fechados

Mais em Guarda