A Câmara da Guarda aprovou, hoje, a abertura dos concursos públicos para a construção do Centro de Empresas Startups e do Museu de Sabores da Beira Interior, no valor total de 4,2 milhões de euros (ME).
Os procedimentos foram aprovados, por unanimidade, na reunião quinzenal do executivo municipal, a penúltima do mandato, realizada hoje.
O Centro de Empresas Startups está projetado para os dois pisos superiores do mercado municipal da Guarda, que serão transformados numa área de acolhimento empresarial tecnológica e de espaços de ‘coworking’ destinados a micro, pequenas e médias empresas.
“Vamos requalificar os dois pisos e transformar aquilo que tem sido, nos últimos 15 anos, ‘o sótão lá de casa’ num espaço vivo e vivido pelas empresas e empreendedores que ali se possam instalar, dando também mais dinâmica ao mercado municipal”, disse aos jornalistas, no final da reunião, Sérgio Costa, presidente da Câmara.
O preço-base do concurso público é de 1,2 milhões de euros.
Já o futuro Museu de Sabores da Beira Interior vai nascer da reabilitação de três edifícios contíguos à sede da Comunidade Intermunicipal Região das Beiras e Serra da Estrela, na Praça Luís de Camões, no centro histórico da cidade.
Trata-se de um espaço destinado à promoção e degustação de produtos endógenos da região, que terá no rés-do-chão uma zona expositiva, área de degustação e também um espaço para ‘workshops’ de gastronomia regional. Os pisos superiores serão destinados a áreas de trabalho.
“Aquelas casas devolutas serão reconstruídas para divulgar os produtos da Serra da Estrela, num passo muito importante para a revitalização cultural, turística e de atração de pessoas para o centro histórico da Guarda”, sustentou o autarca.
O concurso para a construção do Museu de Sabores da Beira Interior tem um preço-base de três milhões de euros.
O executivo aprovou ainda, mas por maioria, com a abstenção do vereador do PS, António Monteirinho, a abertura do concurso público para a reabilitação urbana da Rua Vila de Manteigas, por 1,7 milhões de euros.
Também por maioria, com a abstenção do eleito socialista, foi aprovado o procedimento para a requalificação da estrada dos Galegos, na periferia da cidade, pelo preço-base de 720 mil euros.
Nesta reunião, a oposição voltou a questionar Sérgio Costa pelas contas semestrais do município, que ainda não foram apresentadas.
“Há uma tentativa de esconder a certificação de contas pelo ROC [Revisor Oficial de Contas] e parece-nos ser um ato intencional, porque não nos foi dada nenhuma razão plausível para esse documento ainda não ter sido apresentado ao executivo”, considerou António Monteirinho, vereador do PS.
Carlos Chaves Monteiro, do PSD, também lamentou não haver uma explicação para este incumprimento legal.
“Há uma intenção direta de impedir os vereadores da oposição de terem acesso às contas e à situação financeira da Câmara da Guarda, seja pelo impacto que a contratação de 500 novos funcionários possa ter, seja pelo eleitoralismo do presidente para conquistar votos”.
No entanto, o social-democrata alertou que a situação tem “consequências legais graves”, nomeadamente a retenção de verbas de transferências do Estado e uma auditoria do Tribunal de Contas.
Na resposta, o presidente Sérgio Costa recordou que as contas consolidadas de 2024 da autarquia e do primeiro semestre deste ano foram aprovadas por unanimidade em Assembleia Municipal.
“Há dúvidas de quê?”, questionou, garantindo que o relatório do ROC sobre a situação financeira da Câmara da Guarda será entregue à oposição quando estiver concluído.












Comentários