Quatro docentes e um doutorando do Instituto Politécnico de Viseu (IPV) desenvolveram uma aplicação, em forma de jogo, sobre literacia financeira destinado a jovens do ensino básico e secundário, disseram hoje à agência Lusa os criadores.
“Enquanto docentes, percebemos de forma empírica, há muito tempo, que, ano após ano, os estudantes ingressam no ensino superior, na sua esmagadora maioria, com um desconhecimento quase total de conceitos financeiros básicos, essenciais ao “mero” exercício de cidadania na sociedade atual”, sublinharam os criadores.
À agência Lusa, os quatro docentes e doutorando justificaram assim o porquê do desenvolvimento do “Finanças Quiz” que está na sua “primeira versão, tem oito níveis de dificuldade, é gratuita” e está disponível para o sistema ‘android’.
Os docentes são Carlos Quental, Paula Sarabando, Rogério Matias e Tiago Miguel e ainda o desenvolvedor Júlio Rocha, licenciado e mestre em Engenharia Informática pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu (ESTGV) do IPV, onde os docentes trabalham, e a concluir o doutoramento em Engenharia Eletrotécnica e Computadores na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
Os criadores do jogo adiantaram que, esta versão, está “suscetível a várias melhorias, nomeadamente em função da clarificação dos conteúdos e abordagens que vierem a ser adotados no ensino obrigatório relativamente à literacia financeira” e, nesse sentido, desafiam os utilizadores a darem “contributos e sugestões”.
À agência Lusa disseram ainda que realizaram “dois estudos que suportam esta constatação” de falta de literacia que perceberam nos alunos, mas que também mostram que “existe neles uma forte vontade e disponibilidade para saber mais, nomeadamente, recorrendo à facilidade e conforto associados aos dispositivos” móveis.
“A recente decisão do Ministério da Educação relativamente à abordagem da (e importância a dar à) literacia financeira ao longo de todo o ensino obrigatório deixou-nos muito felizes e acicatou a nossa vontade de disponibilizar uma aplicação pensada, sobretudo, para jovens, embora possa ser útil a muitos adultos”, acrescentaram.
A aplicação, adiantaram, apresenta-se “sob a forma de jogo e dirige-se sobretudo a estudantes do ensino básico e secundário” e “será atualizada com novas questões, sempre que possível” e esperam também “contributos de todos”.
“Estamos também atentos à forma como se vai concretizar a abordagem da literacia financeira no ensino obrigatório. É muito provável que, nos próximos meses (e anos, mesmo) a aplicação vá sendo ajustada em função do que for acontecendo”, reconheceram.
Para já, nesta primeira versão, os jogadores enfrentam nos oito níveis questões relacionadas com, por exemplo, dissera, impostos, inflação, Euribor, crédito, poupança e investimento” e “algumas estimulam o raciocínio matemático, ainda que relativamente simples como, por exemplo, percentagens”.












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