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Fogo na Covilhã “está muito descontrolado”

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  O presidente da Câmara da Covilhã disse hoje à agência Lusa, pelas 11:45, que o incêndio em curso no seu concelho está “muito descontrolado” e já passou para Silvares, no concelho do Fundão.

Vitor Pereira, que se encontrava precisamente no posto de comando instalado em Silvares (Fundão), explicou que, dada a existência de tantos incêndios e a dispersão de meios a que isso obriga, a falta de meios no combate às chamas que lavram no seu concelho “é uma inevitabilidade”.

O autarca sublinhou ainda que a dificultar as operações de combate está também o fumo que impede, neste momento, a operação dos meios aéreos.

“O fumo impede a visibilidade e até para se fazer o reconhecimento [por meio aéreo] está muito difícil”, disse.

A juntar a tudo isto, Vitor Pereira fala na exaustão dos bombeiros e na “desmoralização”, sobretudo dos bombeiros da corporação da Covilhã, que, na tarde de domingo, perderam um camarada num acidente.

Segundo o autarca, o fogo continua a progredir junto às localidades de São Jorge da Beira, Paúl, Casegas, Ourondo, Barca, São Francisco de Assis e Erada.

“É quase impossível combater este fogo. Pelo que vi ontem [domingo] à noite, um fogo com aquela intensidade e fúria é um autêntico inferno”, sublinhou.

Numa nota divulgada às 10:30, o município da Covilhã informou que, devido às frentes de fogo que lavram no concelho, estão fechadas à circulação a EN 230, entre Unhais da Serra e as Pedras Lavradas; EM 512, entre São Jorge da Beira e Silvares (Fundão), e a EM 514, entre Barco e Silvares (Fundão).

“As estradas que se encontram transitáveis apresentam muitos detritos provenientes do combate ao fogo, além da reduzida visibilidade provada pelo fumo intenso. Reitera-se, por isso, o apelo a que a população não realize qualquer deslocação que não seja estritamente necessária e solicita-se a todos os automobilistas que não possam evitar essas viagens que conduzam com a máxima prudência”, lê-se ainda na nota.

Portugal continental tem sido afetado por múltiplos incêndios rurais desde julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro, num contexto de temperaturas elevadas que motivou a declaração da situação de alerta desde 02 de agosto.

Os fogos provocaram dois mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, na maioria sem gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.

Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ao abrigo do qual deverão chegar, na segunda-feira, dois aviões Fire Boss para reforço do combate aos incêndios.

Segundo dados oficiais provisórios, até 17 de agosto arderam 172 mil hectares no país, mais do que a área ardida em todo o ano de 2024.

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