O Chega fez história nas legislativas de 2024 ao eleger um deputado pelo círculo eleitoral da Guarda e ao interromper o domínio de PS e PSD, que dividiam entre si os lugares na Assembleia da República.
O bipartidarismo tem sido nota dominante nas eleições para a Assembleia da República neste distrito do interior do país, onde o CDS ombreou com socialistas e sociais-democratas até aos anos 80 do século passado, quando este círculo ainda elegia cinco deputados.
Desde então, os dois maiores partidos do espetro político português têm partilhado os quatro mandatos da Guarda no Parlamento até 2015. Quatro anos depois, o distrito perdeu um lugar por causa da redução do número de eleitores.
Uma tendência que se mantém: na última atualização dos cadernos eleitorais, foram apurados 139.520 eleitores, menos 1.930 do que nas eleições de 2024, ano em que houve menos 4.419 cidadãos em condições de votar face às legislativas de 2022.
Resolvido o assunto das portagens, cuja abolição entrou em vigor a 01 de janeiro, a saúde voltará a ser o tema dominante da campanha eleitoral na Guarda devido à falta de médicos nos centros de saúde do distrito e em várias especialidades no Hospital Sousa Martins.
Em destaque deverá estar também a conclusão da segunda fase da requalificação daquela unidade hospitalar, obra iniciada em 2009, bem como a reabertura do Hotel Turismo, encerrado desde 2010, e a concretização do Porto Seco na estação ferroviária da Guarda, que aguarda adjudicação desde 2023.
A implementação do Plano de Revitalização da Serra da Estrela, aprovado pelo Governo de António Costa na sequência do grande incêndio do verão de 2022, a modernização e abertura do troço Pocinho-Barca d’Alva, na linha férrea do Douro, desativado desde a década de 80 do século passado, e o combate à desertificação serão outros assuntos em debate.
Às eleições de 18 de maio concorrem catorze partidos pelo círculo da Guarda. Dulcineia Catarina Moura, atual deputada, volta a ser cabeça de lista pela AD, enquanto o PS escolheu Aida Carvalho, presidente da Fundação Côa Parque, que gere o Museu do Côa e o Parque Arqueológico do Vale do Côa, para liderar a lista.
O Chega também repete Nuno Simões de Melo, eleito deputado em março de 2024, tal como o Bloco de Esquerda (BE), que volta a apostar na estudante do ensino superior Beatriz Realinho.
A professora do ensino básico Catarina Costa é a candidata da CDU, o diretor-geral de uma empresa de formação profissional Rui Abreu concorre pela Iniciativa Liberal e a enfermeira Margarida Bordalo volta a ser a cabeça de lista do Livre.
Jorge Moutinho (PAN), Francisco Monteiro (ADN), Maria do Céu Rocha (RIR), Olivier Carneiro (Volt), Diogo Casanova (Ergue-te), Manuel Saraiva Borges (PPM) e Célio Alves (Nós Cidadãos) são os restantes candidatos pelo círculo.
Em 2024, a AD venceu na Guarda com 34,1% dos votos, à frente do PS com 31,8% e do Chega, com 18,5%. O Bloco de Esquerda foi o terceiro partido mais votado (2,7%), seguido do ADN (2,5%), Iniciativa Liberal (2,2%), CDU (1,5%), Livre (1,3%) e PAN (0,9%).
Foram eleitos deputados Dulcineia Catarina Moura (AD), Ana Mendes Godinho (PS) e Nuno Simões de Melo (Chega).











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