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Movimento cívico contesta linhas de muito alta tensão nas freguesias de Turquel e Benedita

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Um movimento cívico que contesta a existência de linhas de muito alta tensão nas freguesias de Turquel e Benedita, no concelho de Alcobaça, manifesta-se hoje junto ao parlamento para exigir que as linhas sejam deslocadas para zonas desabitadas.

O movimento Lesados-Linhas de Muito Alta Tensão pretende com a manifestação de hoje “alertar o Governo e sensibilizar a opinião pública para o problema de saúde pública que a proximidade destas linhas representa para as populações destas freguesias”, disse à agência Lusa Lino Henriques.

Em causa estão linhas de alta e de muito alta tensão que desde a década de 1970 atravessam várias aldeias das freguesias de Turquel e da Benedita, no concelho de Alcobaça, no distrito de Leiria, e que o movimento acredita poderem estar relacionadas com o surgimento de problemas de saúde em pessoas que habitam próximo da rede elétrica.

“Só entre a Moita do Gavião e a Lagoa de Frei João, na freguesia de Benedita, temos conhecimento de dois casos de malformações, mais dois casos de tumores cerebrais, um deles tendo provocado a morte de um ‘vizinho’, a que se juntou ainda mais um caso de malformações na freguesia de Turquel”, afirmou Lino Henriques, sustentando “não ser coincidência” o surgimento destes casos numa zona que está “há décadas a suportar a proximidade a esta linhas que a legislação mais recente proíbe que sejam instaladas perto de zonas habitadas, de hospitais, escolas e lares de idosos”.

O protesto surge numa altura em que a REN – Redes Energéticas Nacionais, empresa responsável por garantir o transporte de eletricidade e de gás natural em muito alta tensão, “está a fazer uma intervenção na rede, a substituir postes antigos por outros mais elevados”, explicou Lino Henriques.

Para o movimento, “faria todo o sentido que, nesta intervenção, as linhas fossem deslocadas para uma encosta da serra dos Candeeiros aqui muito perto, que tem uma larga faixa sem qualquer habitação”.

“É lá que devem ser implantados os novos postes, que vão ser ainda mais largos e mais altos do que aqueles com que temos de conviver há 50 anos”, afirmou.

Além das questões de saúde pública, os membros do movimento consideram que a proximidade das linhas de muito alta tensão “põe em causa a continuidade das aldeias destas freguesias”.

“Ninguém quer vier viver debaixo desta carga de radiação, acabando por se desvalorizarem os terrenos e as habitações”, acrescentou.

O movimento Lesados–Linhas de Muito Alta Tensão enviou à REN uma carta em que defende o afastamento das linhas das zonas habitadas, mas, segundo Lino Henriques, não obteve ainda qualquer resposta.

Convicto da urgência em “alertar o Governo para que se possa tratar esta intervenção da REN”, o movimento pretende juntar hoje, nas escadarias da Assembleia da República, em Lisboa, “mais de meia centena de pessoas destas aldeias, na sua maioria famílias, incluindo idosos e crianças, que se vão deslocar de autocarro para manifestar o descontentamento e exigir ser tratados como as outras populações, onde a lei proíbe que as linhas sejam instaladas”.

O protesto tem início às 11:30 e deverá prolongar-se até ao final da primeira meia hora (00:30) de domingo, informou o movimento em comunicado.

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