Nesta edição, que prestou homenagem a Alexandre Delgado — diretor artístico do festival entre 2002 e 2019 — o público marcou presença para 4 programas que apresentaram obras do compositor: O Concerto para Viola e Orquestra, o concerto encenado Rei Lear, a Pequena Suite Laurissilva e a divertida ópera O Doido e a Morte, que foi acompanhada de três obras vocais também de Alexandre Delgado. O festival prestou também tributo a António Victorino d’Almeida, tendo sido apresentadas 3 obras da sua autoria: a Abertura Clássica, o Quarteto “Meditações inquietas sobre um dia de Abril” e Lisboa em Camisa.
André Cunha Leal, que com Rui Morais é responsável pela direção artística do Cistermúsica, realça que “o festival é uma das realidades mais bem conseguidas no panorama dos festivais em Portugal e a prova disso mesmo é esta edição: foram 43 concertos em que a par da música erudita — que é o epicentro do festival — temos também o jazz, a música do mundo, vamos ao mundo dos musicais, temos aqui um pouco de tudo… e isto significa que o Cistermúsica se afirma como o festival a ter em conta em Portugal e que torna Alcobaça numa capital da música durante o verão.”
Nesta 30ª edição, as cores da imagem do festival — ouro sobre azul — foram o prenúncio para uma edição marcada pelo ecletismo e plena de atuações inesquecíveis, entre as quais recordamos as descobertas da Música Cisterciense com o Ordo Virtutum de Hildegarda Von Bingen pelo Ars Choralis Coeln (Alemanha), a mestria jazzística de John Pizzarelli (EUA) que interpretou canções de Nat King Cole, a música sacra alemã pelo Voces Cælestes & Real Câmara, o virtuosismo do Quarteto Esmé (Coreia do Sul) na música de câmara, a celebração gospel do The Black Heritage Choir (EUA) na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, a auspiciosa estreia de Sefarad Project e o surpreendente Ensemble Vocal Aura, entre muitos outros momentos memoráveis.
Quanto aos números, nesta sua 30.ª edição, e ao longo de 38 dias, o Cistermúsica tornou a superar algumas marcas atingidas no ano anterior, tendo acolhido um total de 58 agrupamentos (somando 846 intérpretes) em 43 espetáculos presenciados por 7662 espetadores, duplicando a assistência registada em 2021. No concelho de Alcobaça realizaram-se 36 concertos, sendo que os restantes foram apresentados em 6 concelhos, desde Évora até Arouca, passando por Porto de Mós, Marinha Grande, Odivelas e Lisboa. A direção do festival estima que esta edição tenha provocado na economia local um impacto direto superior a 20.000€.
O Festival de Música de Alcobaça voltará no próximo ano, centrando a sua programação, como habitualmente, durante o mês de julho e será dedicado à Música no Feminino e aos 150 anos do nascimento de Sergei Rachmaninoff.
O Cistermúsica 2022 teve como Mecenas o BPI / Fundação “La Caixa” e como Patrocinador Principal a Égide – Associação Portuguesa das Artes.












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