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Casa do Resineiro inaugurada na aldeia de Corgas

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A Casa do Resineiro, novo espaço museológico do concelho de Proença-a-Nova que pretende recordar ou dar a conhecer imagens, ferramentas e obras de arte alusivas não só à atividade da resina, mas também da própria vida no campo, foi inaugurada na aldeia de Corgas a 13 de junho, Dia do Município.

“Foi também o dia em que celebrámos, à imagem do que aconteceu na Sessão Solene, a cultura enquanto vetor importante de partilha de conhecimento, na busca de vários significados que vamos traduzindo ao longo da história. Os novos meios tecnológicos permitem-nos manter a identidade destes territórios, mas são as pessoas quem a criam”, referiu na ocasião João Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova.

“Esta é também uma forma de se manterem vivas as tradições das localidades em que, à semelhança das Corgas, se resinavam os pinhais, com grande impacto na própria evolução da comunidade. A resina traduziu-se numa atividade muito importante durante um largo período do nosso tempo no concelho, mas aqui na aldeia de Corgas ainda com maior evidência. Era um modo de vida e permitiu que muitas famílias conseguissem por os seus filhos a estudar, empenhando-se neste trabalho, mas também no conhecimento”, acrescntou o edil.

A Casa do Resineiro foi inaugurada por Susana Menezes, diretora Regional da Cultura do Centro, que se mostrou “satisfeita por participar num dia onde evocamos todos aqueles que nos antecederam e que ajudaram a construir este território e todos aqueles que estão a preservar e manter este território”.

A diretora lembrou o facto “de este ser um projeto importante, não só para a Direção Regional de Cultura, mas também para toda a região, naqueles que são os desafios que enfrentamos hoje”. Susana Menezes aproveitou ainda a oportunidade para referir que a entidade que agora representa “tem encontrado no Município de Proença-a-Nova um parceiro para a promoção dos interesses do património, da cultura e das artes, principalmente quando em 2019 foi apresentado o projeto aos municípios de Proença-a-Nova, Oleiros e Sertã para que se juntassem” e desenvolver o Cortiçada Art Fest. Este projeto segue as bases da ‘Carta de Porto Santo’, documento assinado em 2020 e que defende a inclusão numa ‘Democracia Cultural’, que Susana Menezes cita, remetendo o seu significado para a “necessidade de as comunidades terem uma voz ativa na preservação do seu património e identificar o que para si é património, potenciando a visibilidade da sua própria localidade”.

Paulo Martins, presidente da Associação da aldeia das Corgas, começou por “enfatizar o trabalho de Maria dos Anjos Ladeira Novo e de Marcolino Farinha Melo” nos contributos em termos de espólio para a Casa do Resineiro, apontando ao facto daquele que hoje é visto como património cultural ter sido, outrora, “o património económico de toda a aldeia e das famílias que aqui viviam e que tinham a resina como principal sustento. É muito importante escrever e relembrar a história do nosso passado e daqui para a frente transmiti-la às gerações futuras”.

Apesar da área de Proença-a-Nova ser ocupada em 80% por terrenos florestais, a atividade da resina desapareceu já por completo do concelho, residindo apenas nas lembranças dos habitantes mais idosos que passaram por todo o ciclo da resina, estando ainda muito vincado a uma forma de estar e de viver. A inauguração da Casa do Resineiro tenciona recuperar e perpetuar essa memória, resultando da recuperação de um edifício em pedra de xisto, realizada pelo Município, no coração da aldeia de Corgas. O Município é ainda parceiro no projeto de criar a Rede Europeia de Territórios Resineiros com reintrodução da resinagem nos pinhais adultos.

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