O Júri convidado pela Câmara Municipal de Viseu, através do Pelouro da Cultura, constituído por José Alfredo, fotógrafo profissional, Ana Seia de Matos, designer e cenógrafa, e Fátima Eusébio, coordenadora do Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu, analisou e reuniu para avaliar os vinte e cinco presépios a concurso, dispostos nas freguesias do concelho de Viseu.
O Júri congratula-se com a diversidade e a criatividade das propostas apresentadas para a representação do presépio e felicita todos os envolvidos nos projectos pelo empenho e participação nesta iniciativa.
Ponderados os vários critérios para análise das representações do presépio o júri deliberou que o primeiro lugar foi atribuído ao presépio apresentado pela União das Freguesias de Barreiros e Cepões, da responsabilidade da Associação Rácio de Alegria, pela apresentação de figuras de carácter escultórico muito estilizado, de linhas contemporâneas, mas onde é possível
identificar as figuras principais do presépio, utilizando materiais distintos de todos os outros, incluindo materiais reciclados (fragmentos de azulejos).

Apresenta uma manipulação da luz singular, que emerge do interior das figuras, reforçando a sua simbologia, não só no que concerne à identificação com as três imagens centrais do presépio, Jesus, Maria e José, mas também no que se refere à valorização da luz como fonte de vida e caminho para toda a
humanidade. O enquadramento das figuras numa base de arbusto e madeira e com um espigueiro como fundo (elemento tradicional na região) processa-se com harmonia entre o tradicional e o contemporâneo, resultando uma composição muito cenográfica.
O segundo lugar foi atribuído ao presépio apresentado pela freguesia de Ranhados, da responsabilidade dos Agrupamentos de Escuteiros 1351 do Viso e 1029 de Ranhados, pelo carácter inovador da concepção das figuras e do enquadramento.

A tridimensionalidade das figuras do presépio, com base de painel recortado em madeira, é sugerida pelo trabalho cuidado executado com pedras roladas pintadas de diversas cores, formando uma composição
de grande decorativismo. Para além das pedras há também a utilização de aparas de madeira, sendo de relevar a criatividade e a originalidade nos materiais utilizados.
Foi também destacado o cuidado com o enquadramento, num complexo esquema composto por cordas e paus, formando uma composição muito cenográfica e com um dinamismo simbólico, expressivo da vida que se desenvolve a partir do presépio. Os paus e as cordas são identitários dos responsáveis pela execução deste projeto, os agrupamentos de escuteiros.
O terceiro lugar foi atribuído ao presépio apresentado pela Junta de Freguesia de Orgens, por ser uma proposta singular aos níveis do enquadramento, concepção e dos materiais utilizados e reciclados. Foi o exemplar que mais se destacou no que concerne à utilização de materiais reciclados, a sucata. O enquadramento é absolutamente original, composto pela estrutura de
uma carrinha, assente sobre jantes. Estão presentes as figuras do presépio, formadas por elementos como faróis, cabelagem, amortecedores, radiadores, tubo de escape, etc.

Lateralmente apresenta uma árvore de natal, resultante de uma composição de jantes e farolins. No exterior a figura da estrela resulta da conjugação de vários triângulos e na parte frontal a inscrição NATAL 2021 é fruto da união de fragmentos de placas de matrículas. Foi destacada a criatividade na utilização e na conjugação de materiais reciclados, todos da mesma tipologia, a sucata automóvel, resultando um conjunto muito coeso.
O júri decidiu também atribuir duas menções honrosas, ao presépio apresentado pela Junta de Freguesia de Calde, da responsabilidade da Associação Social Cultural Desportiva e Recreativa de Paraduça pela criatividade e trabalho artístico utilizando a cortiça, configurando as imagens com grande pormenor e pela harmonia dos materiais que compõem o enquadramento.

E ao presépio da União de Freguesias de Boa Aldeia, Farminhão e Torredeita, da responsabilidade da Associação de SS de Farminhão, pela forma criativa como utilizou materiais da natureza (folhas, troncos, corcódea) e materiais reciclados (garrafas de plástico) numa conjugação harmoniosa e bastante coesa.












Comentários