Guarda

Festival Ocupar a Velga regressa a Valezim para celebrar comunidade, memória e criação artística

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A aldeia de Valezim, no concelho de Seia, volta a receber o Festival Ocupar a Velga, que decorre entre 3 e 8 de agosto de 2026, naquela que será a sua quinta edição.

Organizado pela Produção d’Fusão, o evento aposta, este ano, na celebração do encontro, da memória e da comunidade, através de uma programação multidisciplinar que reúne teatro, dança, performance, cinema, oficinas, conversas e momentos de convívio.

Ao longo de seis dias, artistas e população serão convidados a partilhar experiências e a refletir sobre temas como o território, a identidade, as relações humanas e as paisagens que habitamos.

Segundo os programadores Filipe Metelo, Patrícia Soares e Sandra Cardoso, esta edição assume um caráter particularmente festivo, procurando assinalar o percurso realizado pelo festival e reforçar os laços criados ao longo dos últimos anos.

“Num tempo marcado pela aceleração, pela fragmentação e pelo isolamento, reunir pessoas em torno de experiências artísticas continua a parecer-nos um ato profundamente relevante”, referem, sublinhando a importância de criar espaços de encontro e de imaginar coletivamente o futuro.

A programação arranca a 3 de agosto com a sexta edição do MiniLab, oficina de artes performativas orientada por Margarida Mestre, destinada a crianças e jovens entre os 6 e os 13 anos. Sob o mote Em Valezim Plim! Acontece um lugar, a iniciativa convida os participantes a explorar a aldeia através das suas histórias, ruas, casas e habitantes.

Entre 3 e 6 de agosto decorre também a recolha de testemunhos para Novelga, projeto artístico conduzido por Catarina Requeijo e Manuela Pedroso, que reúne memórias e narrativas da população de Valezim e cuja estreia está prevista para 2027.

No plano artístico, o festival apresenta, a 5 de agosto, o espetáculo Popular, de Sara Inês Gigante, uma criação que cruza autoficção, humor e reflexão sobre a cultura popular e os fenómenos de participação coletiva.

No dia seguinte sobe à cena Mulher Enciclopédia, de Poliana Tuchia e Keli Freitas, um solo autobiográfico que aborda questões ligadas à memória familiar, ao silêncio e à resistência.

A 7 de agosto, a encenadora Mónica Calle apresenta Descrição de uma paisagem, uma performance-percurso inédita criada especificamente para o festival, envolvendo mais de três dezenas de mulheres do Coro das Mulheres da Fábrica numa experiência coletiva centrada na comunhão, na memória e na resistência.

O encerramento, marcado para 8 de agosto, inclui uma sessão de curtas-metragens infantis em parceria com o Festival PLAY e o espetáculo Também se matam cavalos, de Francisco Thiago Cavalcanti e Um cavalo disse mamãe, uma criação dedicada aos temas da liberdade, da imaginação e da resistência.

Além da programação artística, o Ocupar a Velga promove iniciativas de participação comunitária, como uma tertúlia sobre a biodiversidade da Serra da Estrela, em colaboração com o CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens, e uma sessão de leitura com Maria Beatriz Seabra.

A edição de 2026 termina em ambiente festivo com um baile conduzido por Mike El Nite, que promete um repertório eclético, combinando clássicos românticos, música popular portuguesa e êxitos pop contemporâneos.

Criado a partir da ligação ao território e inspirado nos campos agrícolas da Serra da Estrela conhecidos como “velgas”, o festival afirma-se como um projeto de descentralização cultural, levando programação artística contemporânea a um contexto rural e promovendo a participação ativa da comunidade.

Financiado pela DGArtes, com o apoio do BPI Fundação La Caixa, Câmara Municipal de Seia e Junta de Freguesia de Valezim, o Ocupar a Velga consolida, na sua quinta edição, a aposta na criação artística, na memória coletiva e na valorização do território.

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