Guarda

A Romaria Cultural regressa e promete transformar Gouveia num “museu vivo” ao ar livre

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A Romaria Cultural regressa a Gouveia nos dias 24, 25 e 26 de julho de 2026 para a sua 12. ª edição, reafirmando-se como um dos projetos culturais de referência da região da Serra da Estrela e um espaço privilegiado de encontro entre criação artística contemporânea, memória, património, participação
comunitária e consciência ambiental.

Com a programação a ser fechada, é já certo que se voltará a transformar o centro de Gouveia num grande palco ao ar livre, com a programação espalhada nas ruas, praças, jardins e outros recantos da cidade. As propostas privilegiam a proximidade, a natureza e uma experiência descentralizada, para que o público percorra Gouveia a pé com um ritmo lento, numa relação direta com a arquitetura e a paisagem singular desta encosta da Serra da Estrela.

O Anfiteatro da Cerca é mítico e acolherá alguns dos principais espetáculos: o concerto de MAQUINA., trio lisboeta hipnótico e muito ativo no circuito europeu, o “voo de regresso” muito aguardado de Birds Are Indie, o cruzamento entre RAP e Spoken Word de GANA, a banda de indie rock de intervenção ESQUERDA e ainda Ideograph, projeto de jazz de João Mortágua, João Clemente, Nuno Jesus, Nuno Santos Dias e
Gonçalo Alves. O fecho das noites ficará a cargo dos mestres de cerimónias A Boy Named Sue, DJ PêraRoxa, Barrosa, Le Cirque du Freak & Ogata Tetsuo.

Nesta programação site specific, que explora espaços emblemáticos de Gouveia, destacam-se as atuações de André Júlio Turquesa, multi-instrumentista e compositor singular, TSURU, projeto de Ana
Gonçalves Albino que cruza guitarra clássica, voz, adufe, eletrónica e processamento sonoro em tempo real, a performance All In Gravity de Rita Vilhena e o projeto de jazz da região Rui Monteiro Trio.

Estes são destaques de um fim de semana eclético e pensada por uma rede de parcerias locais, que se interseta com parcerias provenientes de outras regiões e que se traduzirá na mostra dos filmes vencedores da última edição do festival internacional de cinema documental DOC.Coimbra, em diversas
propostas interdisciplinares da Lúcia-Lima (Cadima) e na residência de reflexão coreográfica “Corpo em Respiração” , da criação da URATE (Carregosa), que terá como apresentação pública o espetáculo “A
Dança que o Mundo Não Vê”.

As exposições e instalações voltarão a assumir lugar de destaque, com as propostas do coletivo Pescada nº5, que desenvolverá trabalhos originais pensados para Gouveia, e a instalação “ESPANTO”, da Associação Cultural e Artística Grande Coisa! (Coimbra), criação de Carlos Campos e Carla Gomes que propõe uma reflexão intensa sobre a condição humana. Estas aliam-se a um conjunto de exposições de artes visuais, que contam com a participação dos artistas plásticos Binau (Lisboa) e Iuri Coelho (Barreiro), que encontram o seu momento alto numa visita guiada pelos seus autores, na tarde de sábado.

Nesta edição reforça-se a relação com a natureza, compromisso que ganha expressão na colaboração revigorada com o CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens, parceiro histórico da Romaria Cultural que assinala 20 anos de atividade.

Esta celebração irá traduzir-se num conjunto de atividades nas quais as artes dialogam com a natureza, com destaque para os “Os Bichos da Noite” , oficina que acontece bem perto dos concertos noturnos e que causa sensação desde 2024.

A programação, ao integrar ainda literatura, oficinas, conversas e atividades participativas, continua a crescer enquanto ecossistema vivo, de acesso livre e gratuito e com uma lógica de democratização cultural, criando espaço para a criação e surgimento de ideias, ao induzir a espontaneidade, a escuta atenta e o diálogo entre artistas, o público e o território.

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